sábado, 29 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
- "Ai flores, ai flores do verde pino,
- se sabedes novas do meu amigo!
- ai Deus, e u é?
- Ai flores, ai flores do verde ramo,
- se sabedes novas do meu amado!
- ai Deus, e u é?
- Se sabedes novas do meu amigo,
- aquel que mentiu do que pôs comigo!
- ai Deus, e u é?
- Se sabedes novas do meu amado,
- aquel que mentiu do que mi há jurado!
- ai Deus, e u é?"
Postado por;Yan e Ulisses
Cantiga de Ribeirinha
No mundo non me sei parelha
mentre me for como me vai,
ca ja moiro por vós e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia.
Mao dia me levantei
que vos entom nom vi fea!
E, mia senhor, des aquelha
me foi a mi mui mal di’ai!
E vós, filha de Dom Paai
Moniz, e bem vos semelha
d’aver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós ouve nem ei
valia d’ua correa.
Início: 1189 (ou 1198?) Provável data da Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós. Supõe-se que esta seja a mais antiga das composições conservadas nos cancioneiros. Outras cantigas disputam essa primazia.
Término: 1385 Fim da dinastia de Borgonha
Glossário:
non me sei parelha: não conheço ninguém igual a mim.
mentre: enquanto.ca: pois.
branca e vermelha: a cor branca da pele, contrastando com o rosado do rosto.
retraia: pinte, retrate, descreva.
en saia: sem manto.
que: pois
dês: desde
semelha: parece
d’aver eu por vós: receber por seu intermédio.
guarvaia: manto luxuoso, provavelmente vermelho, usado pela nobreza.
alfaia: presente
valia d’un correa: objeto de pequeno valor.
Característica da cantiga
-
Língua galego-português
-
Tradição oral e coletiva
-
Poesia cantada e acompanhada por instrumentos musicais colecionada em cancioneiros
-
Autores trovadores
-
Intérpretes: jograis, segréis e menestréis.
-
Gêneros: lírico (cantigas de amigo, cantigas de amor) e satírico (cantigas de escárnio, cantigas de maldizer).
Considerada por alguns como a mais antiga galego-portuguesa, este texto desafia a interpretação dos estudiosos. Seu sentido continua bastante obscuro. Não se pode concluir nem mesmo se trata de uma cantiga de amor ou de escárnio.
Thadson Santana e Thiago Almeida
Martin Soarez, CV 974

Martin Soarez, CV 974
Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv'en [o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus me perdon,
pois avedes [a] tan gran coraçon
que vos eu loe, en esta razon
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
en meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já un bon cantar farei,
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
terça-feira, 25 de maio de 2010
AS CANTIGAS DE AMOR
Canção de amor
Quer’eu em maneira de proença! fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar lmia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi ém: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quizo Deus fazer tal, quando a faz, que a fez sabedord e todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sém, e desi nom lhi fez pouco de bem quando nom quis lh’outra foss’igual
Cantigas de amor do período teocentrico
a dona que por meu mal vi!
Ca Deus lo sabe, poila vi,
nunca já mais prazer ar vi;
ca de quantas donas eu vi,
tam bõa dona nunca vi.
Tam comprida de todo bem,
per boa fé, esto sei bem,
se Nostro Senhor me dê bem
dela! Que eu quero gram bem,
per boa fé, nom por meu bem!
Ca pero que lh’eu quero bem,
non sabe ca lhe quero bem.
Ca lho nego pola veer,
pero nona posso veer!
Mais Deus, que mi a fezo veer,
rogu’eu que mi a faça veer;
e se mi a non fazer veer.
sei bem que non posso veer
prazer nunca sem a veer.
Ca lhe quero melhor ca mim,
pero non o sabe per mim,
a que eu vi por mal de mi[m].
Nem outre já, mentr’ eu o sem
houver; mais s perder o sem,
dire[i]-o com mingua de sem;
Ca vedes que ouço dizer
que mingua de sem faz dizer
a home o que non quer dizer!
mays nõ desei’ auer bê d’ela tal,
por seer meu bê, que seia seu mal,
e por aquesto, par Nostro Senhor,
en que perdesse do sseu nulla ren,
ca non é meu ben o que seu mal for,
Ante cuyd’ eu que o que seu mal é
que meu mal est, e cuydo grã razõ,
por ê deseio no meu coraçon
auer tal bê d’ela, per boa fé,
en que nõ perca rê de seu bon prez,
nê lh’ ar diga nulh’ ome que mal fez,
e outro ben Deus d’ ela nõ mi de.
E ia muytus namorados uj
que nõ dauan nulha rê por aver
ssas senhores mal, pois a ssy prazer
fazian, e por esto dig’ assy:
nõ queria que me fezesse bem
se eu mha senhor amo pelo meu
bê e nõ cato a nulha rê do sseu,
nõ am’ eu mha senhor, mays amo mj.
E mal mi venha, se atal fuy eu,
ca, des que eu no mûd’ andey por seu,
amey ssa prol muyto mays ca de mi.
ca me guardades a noit’ e o dia
do meu amigo
Nom poss’ eu, madre, aver gasalhado,
ca me non leixades fazer mandado
do meu amigo.
Ca me guardades a noit’ e o dia;
morrer-vos-ei con aquesta perfia
por meu amigo.
Ca me non leixades fazer mandado,
morrer-vos ei con aqueste cuidado
por meu amigo.
Morrer-vos ei con aquesta perfia,
e, se me leixassedes ir, guarria
con meu amigo.
Morrer-vos ei con aqueste cuidado,
e, se quiserdes, irei mui de grado
con meu amigo.
porque quer ‘ aver amigo
e pois eu com vosso medo
non o ei, nen é comigo,
no ajade-la mia graça
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça.
Sabedes ca sen amigo
nunca foi molher viçosa,
e, porque mi-o non leixades
ver, mia filha fremosa,
no ajade-la mia graça
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça.
Pois eu non ei meu amigo,
non ei ren do que desejo,
mais, pois que mi por vós v~eo
Mia filha, que o non vejo,
no ajade-la mia graça
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça.
Por vós perdi meu amigo,
por que gran coita padesco,
e, pois que mi-o vós tolhestes
e melhor ca vós paresco
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça
o meu amigo comigo falou,
foi mui queixos’ e, pero se queixou,
dei-lh’eu enton a cinta que tragia,
mais el demanda-m(or’) outra folia.
E vistes (que nunca, nunca tal visse!)
por s’ir queixar, mias donas, tan sem guisa,
fez-mi tirar a corda da camisa
e dei-lh’eu d’ela bem quanta m’el disse,
mais el demanda-mi al, que non pedisse.
Sempr’ (a)verá don Joan de Guilhade,
mentr’el quiser, amigas, das mias dõas,
ca já m’end’el muitas deu e mui bõas,
des i terrei-lhi sempre lealdade,
mais el demanda-m’ outra torpidade .
d' amor por si me faz andar1
e en sas feituras falar
quero eu, come namorado:
restr’ agudo come foron,
barva no queix' e no granhon,
e o ventre grand' e inchado.
Sobrancelhas mesturadas,
grandes e mui cabeludas,
sobre-los olhos merjudas;
e as tetas pendoradas
e mui grandes, per boa fé;
á un palm’ e meio no pé
e no cós três plegadas.
A testa ten enrugada
E os olhos encovados,
dentes pintos come dados...
e acabei, de passada.
Atal a fez Nostro Senhor:
mui sen doair' e sen sabor,
des i mui pobr’ e forçada.
- "Ai dona fea! Foste-vos queixar
- Que vos nunca louv'en meu trobar
- Mais ora quero fazer un cantar
- En que vos loarei toda via;
- E vedes como vos quero loar:
- Dona fea, velha e sandia!
- Ai dona fea! Se Deus mi pardon!
- E pois havedes tan gran coraçon
- Que vos eu loe en esta razon,
- Vos quero já loar toda via;
- E vedes qual será a loaçon:
- Dona fea, velha e sandia!
- Dona fea, nunca vos eu loei
- En meu trobar, pero muito trobei;
- Mais ora já en bom cantar farei
- En que vos loarei toda via;
- E direi-vos como vos loarei:
- Dona fea, velha e sandia!"